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A casa de Alberto d'Oliveira

O médico Dr. Alberto d’Oliveira ocupa um lugar especial na memória de Bonito-PE. Reconhecido por sua dedicação à saúde pública e ao bem-estar da população, foi responsável pela direção do recém-fundado Hospital São Vicente, inaugurado em 18 de maio de 1925, um marco na história do município e da região agreste, atualmente batizado como Hospital Dr. Alberto d’Oliveira em sua  homenagem.

A inauguração do hospital foi registrada na Revista de Pernambuco, em junho do mesmo ano, destacando a relevância da iniciativa para uma cidade que, até então, carecia de estrutura médica de maior porte. O hospital tornou-se referência não apenas para Bonito, mas também para localidades vizinhas, consolidando-se como símbolo de progresso e modernidade. Para além de sua atuação profissional, Alberto d’Oliveira deixou um legado que atravessou gerações. Seu filho, Lucídio de Oliveira, contribuiu para a preservação da memória da família e da cidade por meio da literatura, registrando em livros fragmentos da vida social, cultural e política de Bonito.

A trajetória de Alberto d’Oliveira combina ciência, humanidade e compromisso comunitário. Seu nome permanece vivo não apenas no hospital que leva sua marca, mas também no reconhecimento coletivo de um homem que soube transformar a medicina em serviço social e em herança histórica para a cidade.

Na avenida que hoje leva o nome desse importante médico encontra-se uma preciosidade da arquitetura do século XX em Bonito. A casa de Alberto foi tema de um documentário produzido pelo Rodeador Cultural e disponível no YouTube. A sua filha, Nenéa, recolheu  em 2014 um importante acervo de fotos de transformações da casa ao longo dos tempos. Preparou cuidadosamente um texto de apresentação que fez parte de um compilado físico; agora trazemos esse material para o site como forma de difundir e preservar as memórias de personagens da história bonitense.

UMA EXPLICAÇÃO (material compilado por Nenéa e disponibilizado aqui por intermédio de seu irmão, Lucídio de Oliveira)

 

Conversa entre irmãos justificando a confecção deste álbum de fotografias da Casa do Dr. Alberto d’ Oliveira, nosso querido e sempre lembrado pai.

 

 

Lendo o livro “A Casa ─ Ponto de Honra”, do escritor português Ismael Sanches. Comecei a pensar, relacionando o que ele expunha com a nossa casa , construída por papai, no Bonito, ao final da década de 20 do século passado, percebendo como ela expressava sua singular personalidade. Então, entendi o orgulho que ele tinha de a ter construído. Daí, nasceu a ideia de fazer este álbum.

A cada assertiva do autor, a cada conceito expresso sobre o significado e a importância da casa, mais me convencia que foi com pensamentos e sentimentos semelhantes que papai construiu a “sua casa”. Uma casa ao seu mofo idealizada, para sua família, razão do seu viver, e onde morou até o final dos seus dias neste mundo.

Como não pensar que papai sentia sua casa “como prolongamento do seu corpo, como segundo espaço de sua pessoa, como Sanches afirma ser uma casa? Quem de nós não se lembra desta resposta: “onde vou fazer isso, minha velha, senão em minha casa”, quando mamãe reclamava da ponta do charuto jogado no chão?

Não está ai o consultório construído como anexo da casa, confirmando o autor quando diz: “tudo está condicionado pela casa, a morada condiciona o trabalho?” Ou ainda, diante da ideia de que o espaço de uma casa guarda a presença dos seus habitantes, e é sinal da qualidade de vida aí usufruída, não vem a lembrança de papi sentado na poltrona da sala de visitas, envolvido pela leitura de um livro ou do jornal Diário de Pernambuco? Não evocamos a cena de seus filhos atentos a ouvir sua conversa nos bate-papos familiares, à mesa após o jantar?

Como não admitir que também a nossa casa é sagrada, ao ler este texto? As casas, todas as casas, de todos os caseiros do mundo – onde se parte e reparte o pão em silêncio e na intimidade, onde se partilham as tristezas e alegrias, os sucessos e os fracassos – essas casa são sagradas”. Penso até que já elegemos o terraço da frente como o local para as nossas celebrações. Qual altar, é nele que temos registrado os momentos alegres e felizes do nosso viver, que vão desde 1934, com a fotografia dos seis irmãos em companhia da prima Cleide, até os dias atuais, com nossas reuniões para festejar a chegada de um novo ano.

“Todo homem leva consigo o sonho de uma casa”, diz Sanches. Papai não fugiu à regra, E as fotografia aqui selecionadas provam que ele não apenas teve o sonho de construir sua casa, mas o realizou em toda a sua plenitude.

Para finalizar esta homenagem prestada a papai e deixar para todos nós este álbum de recordações, peço licença para fazer usando as palavras de Saint Exupery: “meus sonhos [...] vão me ajudar a construir o futuro, uma casa – porque a beleza das casas não reside no fato de que são feitas para abrigarem homens, mas na maneira em que são concebidas. No dia em que construir a minha casa, quero que ela consiga dizer algo. Que ela seja um sinal, um símbolo.

Deixarei que a casa dos meus sonhos surja do meu interior, como a água surge da fonte, ou a luz do horizonte”

Vocês não acham que foi assim o sonho de papai?!

 

Nenéa / Recife, dezembro de 2014

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