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No reinado do sol

O documentário  propõe uma imersão na fascinante história da Colônia Nipo-Brasileira Rio Bonito, uma comunidade japonesa estabelecida no agreste central pernambucano no final da década de 1950, na cidade de Bonito. Com conteúdo acessível através de intérprete de Libras, a produção audiovisual aborda os desafios linguísticos e a adaptabilidade dos novos colonos à terra e ao clima da região. Destaca o árduo trabalho dedicado à consecução dos objetivos da comunidade, proporcionando uma visão profunda e emocionante sobre a jornada desses pioneiros.

A produção foi realizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc através de edital da Secretaria de Turismo, Comunicação e Cultura de Bonito-PE.

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A partir da narrativa oral, os primeiros colonos japoneses contam suas histórias, desde a travessia oceânica a bordo de navios, até os desafios de estabelecimento na nova terra. Os relatos evidenciam medos, sonhos e desejos de pessoas que buscavam viver a vida com dignidade. As memórias reconstroem narrativas diversas que se entrelaçam na experiência viva e no porvir de planos e esperanças.

Acompanhe essa história e os bastidores das gravações.

Ficha técnica

Direção Geral: Lindoberg Campos

Roteiro: Lindoberg Campos/Eliel Nascimento

Captação de vídeo e áudio: Jefferson Mariano

Intérprete de Libras: Gleysson Alves

Edição: Eliel Nascimento

Pesquisa: Carlos Haruta

Finalização: Frame

Produção: Rodeador Cultural

Um pouco de história

Remontar o momento inicial da presença japonesa em Bonito-PE requer compreendermos os acontecimentos anteriores ao ano de 1958. Foi nesse momento que, sob controle do INIC (Instituto Nacional de Imigração e Colonização) – antecessor do INCRA – e do Serviço de Colonização Japonesa no Brasil, as primeiras famílias começaram a se estabelecer na região do agreste pernambucano.

Ainda que a imigração japonesa em terras brasileiras seja anterior ao referido período, ela ocorre de forma descentralizada, ou sem uma estruturação logística mais centralizada e planejada com fins específicos; a criação da comunidade no interior pernambucano faz parte de um plano orquestrado pelo governo japonês que fortalece a presença nipônica no Nordeste a iniciar-se a partir da década de 1940.

 

Se num primeiro momento o incentivo à emigração, por parte das instituições japonesas, cumpre um papel de tentar frear a pressão populacional em franca expansão sobre o incipiente projeto de modernização do país, com o tempo, a emigração para terras brasileiras cumpre uma agenda de desenvolvimento e, sobretudo, investimentos.

É nesse momento que empresas da iniciativa privada, com articulação da diplomacia nipônica e dos organismos de colonização brasileira, financiam a criação de alguns núcleos agrícolas, tais como a aquisição de terras e fornecimento de assistência técnica e médica. É nesse panorama que a comunidade nipônica em Bonito surge. Há vários motivos que levaram à fundação da Colônia Rio Bonito. A mais concreta era abastecer o Recife de produtos hortifrutigranjeiros já que a capital pernambucana necessitava de uma maior produção agrícola que suprisse a demanda local. A iniciativa da construção da colônia nipônica em território bonitense se dá pelo clima, localização geográfica e abundância de recursos naturais como a água, ainda que, a longo prazo, o clima e vegetação se tornassem motivos de entrave ao desenvolvimento da atividade agrícola.

Há certa dissonância de vozes acerca da chegada e estabelecimento de famílias em território bonitense. O historiador Flávio Cabral, em seu livro Bonito, das míticas caçadas à indústria do turismo (Editora CRV, 2020) afirma que os primeiros colonos a se estabelecerem vieram da Usina Aliança no Recife. E assim enumera, em ordem de chegada, os seguintes membros e famílias:

1) Sadao Kameoka e Tanabe (1958);

2) Takeru Kaneko, Matsutaka Kaneko, Suekichi Noguchi, Satomi Okazaki (não explicita o ano, subentende-se entre 1958 e 1960);

3) Kenichi Iwata e Masao Kunamoto (1960);

4) Tatsumi Ide, Fujiwara, Sato Tadatsume, Morinosuke Shimozaki, os irmãos Imai (Hisao e Noryuki) e Yukihisa Aoki (1961);

5) Fuji Fujiwara (1963);

6) Toshio Higashikawauchi (1965);

7) Yasuo Tanaka e Ichio Shinkawa (1970);

8) Katsumi Kato (1973);

9) Noboru Uraga (1975).

 

Já o pesquisador Martín Fabreau, em sua Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPE, intitulada Trânsitos, conexões e narrativas” de imigração em um contexto transcultural. Uma etnografia em Rio Bonito-PE, traz um estudo mais completo e detalhado sobre a presença japonesa em terras bonitenses. Ele afirma que as famílias que primeiro aportaram em território bonitenses (três no total) não eram procedentes diretamente do Japão, mas do Amazonas.

 

Apesar de citar os irmãos Kaneko como primeiros colonos, não cita o nome Tanabe. Portanto, este nome carece de comprovação documental, tendo em vista que os próprios colonos mais antigos afirmam não se lembrar de tal nome. Apenas o livro do Flávio faz referência. Mas o estabelecimento de uma colônia planejada denota a tentativa do governo japonês em articular melhor a permanência dessas famílias e a necessidade de acompanhamento por parte de seus órgãos diplomáticos. Para o pesquisador, o primeiro grupo de colonos era composto pelos irmãos Kaneko (com suas famílias) e Sadao Kameoka.

 

Esse grupo, que chega em 1958,  tinha por principal função preparar a logística local para receber e dar apoio às famílias que trabalhariam na produção agrícola. Portanto, é consenso que a Colônia começa a se desenvolver efetivamente entre os

anos 1960 e 1961.

Como a pesquisa da UFPE focaliza os relatos memorialísticos dos primeiros habitantes, ela fornece outros dados mais completos a serem inseridos:

1) Chegam os irmãos Kaneko e Kameoka (1958)

2) Ide San (1961) – afirma-se que houve outras levas anteriores (1960), mas sem fazer menção dos nomes.

 

É importante salientar que os imigrantes de 1960 e 1961 vieram diretamente do Japão, diferentemente dos colonos de 1958. O que se torna fator comum, tanto na pesquisa empreendida pela pesquisa da UFPE, quanto pelo historiador no seu livro, são os relatos das dificuldades enfrentadas com a lide da terra. Não obstante as dificuldades no acesso à colônia (não havia asfalto e o regime intenso de chuvas do agreste pernambucano transformava as estradas em verdadeiras barreiras para o escoamento da produção), a comunidade japonesa introduziu novas técnicas no cultivo de hortaliças, flores e da produção agrícola, levando o município a ser um dos maiores produtores de inhame do Nordeste, destacando-se a nível nacional.

 

No entanto, para além do material histórico ainda a ser pesquisado, é preciso ter em consideração que as dificuldades para implantação da Colônia ultrapassam aqueles relatados aqui. Só uma pesquisa de maior fôlego e divulgação podem exprimir a importância capital desse projeto agrícola, que, entre outras coisas, teve que criar um mercado consumidor para seus produtos que eram pouco conhecidos no Brasil. A dissertação em questão cumpre certo papel nesse processo. Ao trazer relatos em primeira pessoa, o texto permite um protagonismo maior daqueles que experimentaram os acontecimentos históricos. Com isso fica mais evidente os dramas pessoais, medos, oportunidades, desafios e sonhos nesse longo processo de fincar raízes no além-mar.

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